segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Teoria x Prática


Se há algo semelhante à uma mensagem em Comer, Rezar, Amar é a de que mesmo a mais egoísta das pessoas pode se redimir e encontrar a felicidade.

Baseado no livro homônimo, best-seller em todo o mundo, o filme conta a história da jornalista Liz Gilbert que, cansada de uma vida confortavelmente estável, porém totalmente desprovida de qualquer paixão, decide passar um ano viajando pelo mundo e explorando em todos os sentidos as possibilidades que os três verbos do título permitem.

Em teoria a idéia de Gilbert faz sentido. Afinal de contas, deliciando-se com os prazeres da boa mesa na Itália, se dedicando a fé numa comunidade religiosa na Índia e buscando entender o amor com um xamã na Indonésia como é possível não mudar?

Mas na prática não é bem assim. É só há muito custo, e com muito sofrimento, que a jornalista vai perceber que a felicidade é o caminho e não a chegada e que o amor é muito mais prosa do que poesia.

Alguns movimentos de câmera inusitados e coadjuvantes bacanas fazem deste romance com pitadas de auto-ajuda um filme atraente que fica ainda melhor cada vez que Julia aparece em cena.

Julia Roberts mais radiante do que de costume e muito mais feia e desleixada, faz de Liz uma personagem egoísta e ensimesmada que aos poucos vai percebendo que há vida muito além do seu umbigo e que só é possível perdoar quem amamos se, antes de mais nada, perdoamos a nós mesmos.

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